Dois interessados nesta resposta. De um lado está o profissional e de outro está o cliente, o paciente.
Vamos ver o que pensa o profissional. Terapia é formada por conjuntos de técnicas com o objetivo de trazer saúde e bem-estar às pessoas que necessitam. Também é o trabalho de profissionais que assim atuam, seu ganho financeiro, sua profissão e sua especialidade.
Vários profissionais de várias especialidades dominam técnicas de terapias (no plural) para tratar de seus clientes pacientes preventivamente ou para trazer-lhes de volta a saúde que decaiu. É também a escolha feita para ganhar dinheiro e sobrevivência. É ótima escolha profissional e pode trazer excelentes resultados.
Tem mais, muitas dessas teorias e técnicas dedicam-se aos tratamentos de questões psicoemocionais, ou seja que afetam o psiquismo e as emoções das pessoas.
Os psicólogos clínicos podem ser chamados de psicoterapeutas quando usam técnicas exclusivas da psicologia para o tratamento destas questões psicoemocionais.
Segue este texto até o fim para você compreender melhor este tema difícil, quase sempre nada claro.
No final apresento a você um quadro facilitando a compreensão.
Muitas técnicas terapêuticas não são exclusivas dos psicólogos. Os psicólogos podem usá-las? Resposta difícil. Mas o mais provável é que abertamente o profissional que se apresenta como psicólogo usará exclusivamente técnicas reservadas apenas aos psicólogos. É esperado que este profissional não use nenhuma técnica que não tenha sido aprovada pelo seu Conselho Profissional, legalizador e fiscalizador das atividades deste profissional.
Por outro lado, o número de técnicas de Terapias, que tratam das questões psicoemocionais, que não são exclusivas dos psicólogos é muito maior. E complicando o quadro, os profissionais que praticam estas terapias não estão subordinados a um Conselho Profissional fiscalizador. Estes profissionais dispõem de uma infinidade de técnicas variadas, muitas conhecidas e outras nem tanto e prontificam-se ao tratamento daquelas mesmas pessoas que procurariam um psicólogo.
Existe um risco suposto, imaginário, para estas pessoas. Alguns partem do princípio de que se não existe este órgão fiscalizador então oferecem riscos para a população. Mas como entenderíamos então o fator de que estes profissionais sejam legalizados, ou seja, podem exercer suas profissões? Teríamos que aceitar que existe o entendimento de que há segurança nisto.
Se você é um profissional destas Terapias deve estar concordando comigo de que sua prática profissional é benéfica, que você já curou muitas pessoas e faz isto todos os dias.
Se você é um profissional de psicologia clínica, deve ter percebido que sua prática profissional está limitada a algumas Terapias apenas. Poucas técnicas terapêuticas estão autorizadas a você. E talvez você até utilize algumas destas Terapias (extra Conselhos) porque sabe que será para o benefício dos seus pacientes.
A prática profissional do psicólogo enriqueceria muito se incluísse todo o arsenal de Terapias existentes. O contrário também é verdadeiro. A prática profissional do psicólogo clínico é empobrecida pela limitação de técnicas terapêuticas permitidas.
Outro empobrecimento é o financeiro. Muitos clientes estariam mais satisfeitos e mais seguros se seu profissional dispusesse de um maior arsenal de tratamento. E o psicólogo clínico ampliaria seus ganhos financeiros também.
Eu aqui quero chamar a atenção de profissionais e pacientes para esta questão. E seria muito bom que os psicólogos descobrissem em suas pesquisas quantas outras técnicas disporiam se a situação limitante fosse alargada.
Mas, para encerrar, fica uma provocação importante: se um psicólogo utiliza técnicas não reconhecidas, pode ser responsabilizado por um órgão regulador, como o Conselho Federal de Psicologia. Já no campo das terapias não regulamentadas, essa delimitação é muito mais flexível, permitindo a incorporação rápida de novas práticas e abordagens.
Diante disso, surge uma questão inevitável: essa rigidez protege o campo — ou também limita a ampliação de recursos disponíveis ao próprio psicólogo?
Talvez a pergunta mais produtiva não seja onde termina a psicoterapia e começam as terapias, mas sim como diferentes recursos podem ser integrados, com responsabilidade, ao cuidado das questões psicoemocionais.
O quadro a seguir ajuda a visualizar essas diferenças de forma direta.
Quadro comparativo: Psicoterapias regulamentadas vs. Terapias não regulamentadas
| Critério |
Psicoterapias (Psicólogos) |
Terapias não regulamentadas |
| Caracterização geral |
Poucas, estruturadas, padronizadas |
Numerosas, diversas, heterogêneas |
| Regulação profissional |
Vinculadas a conselhos profissionais (ex: Conselho Federal de Psicologia) |
Maior autonomia de atuação, sem exigência de vínculo institucional |
| Formação exigida |
Longa, formal e obrigatória |
Flexível, com múltiplas possibilidades de formação |
| Diversidade de abordagens |
Limitada a modelos consolidados |
Ampla variedade de métodos e práticas |
| Inovação e adaptação |
Evolução mais gradual |
Rápida adaptação às demandas e tendências do público |
| Modelo de atuação |
Predominantemente clínico, centrado em sessões individuais |
Atuação diversificada: atendimentos, grupos, mentorias, cursos e experiências |
| Modelo de cobrança |
Geralmente por sessão, com menor variação de formato |
Flexível: pacotes, programas, assinaturas e produtos escaláveis |
| Alcance de público |
Mais restrito ao contexto clínico |
Alcance ampliado, incluindo desenvolvimento pessoal e bem-estar |
| Potencial de renda |
Crescimento progressivo, dependente de agenda |
Possibilidade de maior expansão via escala, posicionamento e marketing |
| Posicionamento no mercado |
Associado a tratamento e saúde mental |
Associado a transformação pessoal, propósito e qualidade de vida e saúde |